12/09/2017 11:50:22 - Atualizado em 12/09/2017 11:50:48 por VerÔnica mattos


Todo Mundo Merece

 

A instituição de direitos universais, tendo sido uma vitória legislativa, ainda precisa deixar de ser apenas sonho e se tornar concreta, se tornar realidade viva em cada esquina dos nossos 5570 municípios. Especialmente na questão da saúde o que vemos ainda é motivo de lamento e preocupação.

Tem-se o hábito das reformas, desde o banheiro de casa até a constituição, acredita-se que seja possível por tudo abaixo e, num momento iluminado, erigir tudo novamente, mas de forma imaculada, perfeita, pura... um jardim de  delícias. Lamento, mas a realidade é “um pouco” diferente disso. Como em toda obra humana, a imperfeição é algo que nos acompanhará eternamente nas políticas públicas e devemos compreender que os avanços não ocorrerão como uma reta ascendente num gráfico simples e direto, mas será mais parecido com o gráfico da cotação da bolsa de valores, ou de um eletrocardiograma, já que falamos de direito à saúde. Toda ação seja do Estado, seja privada, gerará distorções e exclusões que uma vez identificadas precisarão ser corrigidas e mesmo esta correção gerará outras distorções, em um processo contínuo de aperfeiçoamento.

Levantar a voz contra o SUS (Sistema Único de Saúde) talvez renda aplausos, mas não presta nenhum bom serviço ao país, na medida em que estimula a busca por saídas pirotécnicas, revolucionárias, em detrimento da conservadora busca constante por aperfeiçoamento. Enxergar a presença de grupos de interesse e pressão no exercício do poder político nos ajuda a entender melhor a oscilação dos “pratos da balança” ora pendendo a um lado, ora a outro e entender que dentro desse processo é que precisaremos obter os avanços que almejamos.

O fortalecimento das demandas da população passa pelo fortalecimento da sociedade civil e da representação do seu conjunto, ao menos, em nível tão elaborado de constituição quanto os das corporações de interesses organizadas em seus inúmeros “sindicatos” que fatiam a república em interesses de pequenos grupos e geram de um lado um mar de miseráveis, de outro as malas do Gedel e algumas grandes fortunas criadas em relação promíscua com o Estado.

A construção do acesso a direitos e sua garantia de sustentabilidade são impossíveis de serem alcançadas “a canetadas”. Faz-se necessário avançar continuamente, preservando as boas coisas já instituídas, utilizando-se das bases já estabelecidas, erguer um edifício de inclusão social baseada na garantia de acesso a direitos mais que a bens.