17/09/2017 14:43:45 - Atualizado em 17/09/2017 14:45:21 por VerÔnica mattos


O combate à Poluição Luminosa e a redescoberta do Céu Noturno

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A natureza é perfeita. Os ciclos do dia e da noite tem uma relação direta com o funcionamento do organismo do ser humano e dos animais e influenciam todo o seu comportamento. A presença do sol transforma as trevas em luz, o silêncio em ruído, o descanso em movimento. Começa mais uma jornada, a luz nos faz despertar para as coisas da terra, o trabalho, os desafios, a sobrevivência, mas naturalmente o escurecer remove os problemas da terra do nosso campo de visão e nos faz despertar para as coisas do céu, como se fosse um chamado silencioso à humanidade ... OLHEM PARA O CÉU!!! E uma imensidão se abre diante de nossos olhos... não fosse um detalhe, a luz artificial noturna mal direcionada, que conhecemos com o nome de poluição luminosa.

Ela conseguiu uma façanha, nos roubou o céu noturno, nos desconectou do universo, e vem nos adoecendo. Este tipo de poluição preocupa os cientistas que mostram consistentemente uma correlação entre a iluminação artificial noturna e o câncer.

Os pesquisadores atribuem ao rompimento hormonal causado pela supressão de melatonina, hormônio responsável pela redução da pressão arterial, dos níveis de glicose e da temperatura do corpo – respostas fisiológicas que são as principais responsáveis por um sono reparador. Com os animais não é diferente a iluminação noturna torna extremamente vulneráveis os animais dependentes da escuridão, provocando em aves, mudança de rotas, mortes por colisão com faróis, turbinas eólicas, plataformas flutuantes, e ainda dificultam o acasalamento e os mecanismos de defesa.

Na astronomia esse tipo de poluição foi classificada em três modalidades:

- Brilho do céu, aquela abóboda alaranjada que se observa no horizonte, formada pelo conjunto de luzes de postes mal direcionadas dissipadas por uma região, essa modalidade apaga o céu;

- Ofuscamento, um tipo de iluminação tão intensa que ao invés de tornar visível e seguro um ambiente consegue o contrário, embaça a visão;

- Luz intrusa externa que entra pelas janelas. Agora, pasme! Estima-se que cerca de 30% do que é gasto por governos, empresas e particulares em energia para iluminação externa é desperdiçado iluminando o céu!

Medidas simples de escolha de luminárias e lâmpadas para a iluminação externa e seu correto posicionamento em relação ao solo são suficientes para conter e até reverter os efeitos da poluição luminosa e diminuir os gastos com o sistema de iluminação. Em épocas de crise, que tal começar pela iluminação? A ilustração é uma simulação do benefício das luminárias que iluminam para baixo, unindo Astronomia e economia. Fica a dica!

A cidade de Campos dos Goytacazes conta com uma monografia sobre o tema, que vale a pena ser lida e valorizada pelos nossos políticos, de autoria de Nicolle Cabral Coutinho e orientada pelo Prof. Marcelo de Oliveira Souza.

Eponine Wagner Barros Borges Souza