12/11/2017 13:27:14 - Atualizado em 12/11/2017 13:30:27 por VerÔnica mattos


A Caricia Enquanto “Palavra” do Corpo

 

Segundo Freud, a sexualidade nos acompanha desde o nascimento até a morte. Ao publicar seu primeiro estudo sobre a sexualidade infantil, Freud impactou a sociedade de sua época, que possuía uma ideia de não existência de sexualidade nesse período. Neste trabalho, o fundador da psicanálise expõe que desde seu nascimento, o indivíduo se articula em um mundo de afeto, desejo e conflitos.

 Para se falar sobre sexualidade torna-se importante primeiramente compreender a diferença existente entre “sexo” e “sexualidade”. Enquanto o Sexo é entendido a partir do biológico, remetendo-se a ideia de gênero, feminino e masculino, a sexualidade vai além das partes do corpo, constituindo-se como uma característica que está estabelecida e está presente na cultura e história do homem.

Freud chama de libido a energia de natureza sexual, orientada pelo princípio do prazer, que se situa numa instância chamada de id ou isso. No movimento dialético com o mundo externo, com as normas sociais, surge o superego ou supereu, regido pelo princípio do dever, se torna responsável pelas forças inibidoras do mundo exterior. O conflito entre essas duas forças antagônicas coloca o ego, ou eu, em jogo. Tendo que atender a dois senhores, o eu não se torna senhor na sua própria casa. Regido pelo princípio de realidade, cabe ao eu lidar com o desejo, proibindo, postergando ou realizando.

Cultura e energia sexual, não orientada para fins puramente sexuais, se entrelaçam nas diversas atividades como o trabalho, o jogo, a produção artística, formas sublimadas da utilização da libido. A sublimação é, portanto, a pulsão desviada para um alvo não sexual.

Para a teoria freudiana, há libido investida em todos os atos psíquicos, de uma forma ou de outra, e é isso que nos permite encontrar prazer também nas atividades que não são primariamente de natureza sexual. Usamos a libido para nos relacionarmos com as pessoas, com o trabalho e com tudo que está ao nosso redor.

A sexualidade surge, como uma linguagem possível, por meio da qual nos comunicamos com o outro, dialogando com a descontinuidade dos corpos, assim, a caricia é a “palavra” do corpo, que traz em si o que há de mais íntimo e inconsciente no interior de nosso intangível.

                                                   Luiz Roberto Duncan
                                                          Psicanalista