02/08/2017 10:29:36 - Atualizado em 02/08/2017 10:31:56 por VerÔnica mattos


O Chamado de Maria

 

Para compreendermos o papel de Maria na História da Salvação precisamos compreender, num primeiro momento, o que é a História da Salvação, que se desenrola na perspectiva de um ideal divino, uma História que congrega as diversas realidades humanas e o projeto Salvífico de Deus.

A História da Salvação é a unidade do Antigo Testamento com Novo. Essa unidade se efetiva da seguinte forma: todo o Antigo Testamento é uma pedagogia de Deus para preparar o seu povo para o advento do grande acontecimento, isto é, a encarnação. Por outro lado, o Novo Testamento configura a síntese e a realização de todas as promessas do Antigo Testamento. É nesse contexto que devemos compreender a missão Maria. Ela, na condição de escolhida, está em sintonia com a História da Salvação.

A missão de Maria está em uma continuidade à missão de Abraão (protótipo da fé) e à missão das mulheres estéreis, que conceberam por intervenção de Deus; são elas: Sara, Ana e Isabel. Assim como, também, pela missão das mulheres que tiveram participação ativa na libertação do povo escolhido: Rute, Ester e Judite. Sara, mulher de Abraão, também teve sua missão na História, gerou Isaac, o herdeiro legítimo da promessa (Gn 17,3-8.15-19; 18,10-14; 21,1-7). Ana, mediante à humilhação da esterilidade, implorava a Deus um filho. O senhor ouviu seu lamento e ela gerou Samuel, que cresceu à sombra da Arca da Aliança (1Sm 1,6-7, 11,19-28; 2,1-10).
A missão de Maria não começa a existir no momento da anunciação, pois este revela um projeto do Pai, projeto para o qual Maria foi a escolhida dentre todas as mulheres da terra para torná-lo concreto. Há um peso inédito na missão de Maria, pois ela não comporta uma palavra a ser anunciada, não salvará seu povo pela beleza física, mas está amalgamada, pela força do Espírito Santo, ao Filho de Deus, que a partir daquele momento também é seu Filho.

Maria desenrola a missão de ser Mãe de Deus. Ela não é mãe de Jesus enquanto homem (como os protestantes afirmam). Ela é mãe de Deus, foi chamada a isso, entregou sua vida, abraçou a espada de dor, ofertou seu Filho, porque bem sabia que Ele é Deus e como Deus tinha a missão de salvar a todos. Não podemos desprezar Maria para proclamar Jesus como Senhor, pois Isabel ao reconhecer o Senhor o reconheceu por meio de Maria. Maria é dada pelo próprio Filho como mãe da humanidade (representada na figura de João).

O último gesto de Jesus foi o de ter ofertado ao mundo seu amor filial por Maria, fazendo com que os seus pudessem também olhar para ela como mãe. Aí está o reconhecimento de Maria como a bem aventurada. Isabel assim reconheceu porque estava na moção do Espírito Santo e todos os humanos são também chamados à moção do Espírito Santo para reconhecer Jesus por seu Senhor e Maria por sua mãe.