12/09/2017 10:02:02 - Atualizado em 12/09/2017 15:55:42

Janot pede abertura de inquérito contra Pezão no STJ

  Ururau

Pezão diz que nunca recebeu recursos ilícitos

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, é alvo de um pedido de abertura de inquérito feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). O caso tramita sob sigilo.

O pedido de investigação se baseou em delações da Odebrecht que apontam que Pezão recebeu dinheiro em espécie, pessoalmente, e fora do Brasil. O governador foi citado pelos executivos Benedicto Barbosa da Silva Júnior e Leandro Andrade de Azevedo.

Segundo as delações, pagamentos a Pezão constam do Setor de Operações Estruturadas, mais conhecido como o departamento de propina da empreiteira.

O governador Pezão figura como investigado em outro inquérito sobre supostos desvios, para caixa dois da campanha em 2010, de obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). A própria PGR considerou, no entanto, não haver indícios a respeito da participação de Pezão, mas apenas em relação ao então cabeça da chapa, Sérgio Cabral, atualmente preso. O STJ ainda não decidiu sobre o pedido de arquivamento.

Em nota, o governador Pezão afirmou que "nunca recebeu recursos ilícitos e jamais teve conta no exterior" e que as doações de campanha foram todas feitas com registro na Justiça Eleitoral. "Não é verdade que delatores da Odebrecht tenham relatado que o governador Pezão recebeu propina pessoalmente e em contas no exterior", diz a nota, acrescentando que "os delatores afirmaram que nunca trataram disso com o governador".

Apesar das declarações de Pezão, os delatores Benedicto Júnior, ex-presidente da construtora Odebrecht, e seu braço-direito Leandro Andrade Azevedo, diretor de Infraestrutura da Odebrecht no Rio, afirmaram que repassaram dinheiro a Pezão, tanto pessoalmente como em contas no exterior. O ministro Edson Fachin, inclusive, registrou o fato narrado em despacho no qual remeteu o caso ao STJ, uma vez que governadores têm foro naquela Corte.

"Trata-se de petição instaurada com lastro nos termos de depoimento dos colaboradores Benedicto Barbosa da Silva Júnior (Termo de Depoimento n. 39) e Leandro Andrade Azevedo (Termo de Depoimento n. 6), os quais relatam que foram feitos pagamentos indevidos a Luiz Fernando de Souza (Pezão), atual Governado do Estado do Rio de Janeiro, pela equipe de Hilberto Silva. Esses repasses teriam sido registrados no Sistema “Drousys”, enquanto os valores foram entregues em quantias pessoalmente e por meio de contas no exterior", escreveu Fachin no ofício enviado ao STJ.

 

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Fonte Jornal Extra